sábado, 7 de fevereiro de 2015

Uma exegese de 1 Timóteo 4:10



Por Alan Kurschner


Pois para isto é que trabalhamos e lutamos, porque temos posto a nossa esperança no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, especialmente dos que creem.” (I Timóteo 4.10)

Em I Timóteo 4.10, Paulo está exortando Timóteo que a sã doutrina e a piedade persistente deveriam ser o impulso de nossa vida por causa da esperança do Deus vivo — nesta era e na por vir. Nós deveríamos estar confiantes em nossos credos e ética por causa da certeza da salvação. Paulo introduz o verso 10 com o indicador inferencialeis touto gar (pois para isto), seguido pela conjunção hoti (porque), que destaca seu ponto principal: “temos posto a nossa esperança no Deus vivo, que é o salvador de todos os homens, especialmente dos que creem.” Seu ponto principal é corroborado pelo seu uso do tempo perfeito ēlpikamen (temos posto a nossa esperança), que define esta ação. É interessante que o único outro exemplo de um tempo perfeito nesta seção imediata é encontrada no verso 6:

Propondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, nutrido pelas palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido (parēkolouthēkas)” - I Tm 4.6

Este é um termo incomum no novo testamento, usado apenas quatro vezes (Mc 16.17; Lc 1.3; I Tm 4.6; II Tm 3.10). No contexto de seguir uma crença ou prática, este termo significa “prestar atenção especial, seguir fielmente.” Em outras palavras, para Paulo, seguir a sã doutrina não é sobre uma afirmação estática das declarações credais em papel — é uma ativa, consciente e envolvida adaptação. (Paulo não teria nada a ver com uma "declaração de fé" ambígua de igreja!)

De volta ao verso 10. Na próxima declaração, o que se entende por “que é o salvador de todos os homens, especialmente dos que creem”?

Muitos crentes modernos leem isto com a hipótese de que Cristo veio a terra com a intenção de morrer por cada indivíduo que já viveu; por isso, “que é o salvador de todos os homens”. Mas só aqueles que creem terão sua expiação aplicada aos seus pecados; por isso, “especialmente os que creem.” Portanto, muitos leitores modernos, especialmente arminianos, acreditam que este verso mina qualquer noção de redenção particular e eleição, que é afirmada na teologia reformada.

Porém, nós deveríamos examinar mais que uma leitura prima facie deste verso e fazer a nós mesmos algumas perguntas. Há uma conexão teológica entre “o Deus vivo” e seu qualificador “que é o salvador de todos os homens”? O que “todos os homens” significa aqui para Paulo? Significa todas as pessoas sem exceção ou distinção? E mais importante, como Deus pode ser o salvador daqueles que não creem? Ou há algum outro elemento que tem escapado à nossa atenção?

Uma leitura universalista deveria ser excluída desde que contraditaria o ensino inequívoco de Paulo em seu corpus de que muitos perecerão eternamente.

Depois, a interpretação arminiana lê demais nesta declaração, “salvador de todos os homens”, com duas suposições: (1) que o termo “salvador” deve significar “possível salvador” e (2) ele denota “cada pessoa individual.”

Mas se Cristo morreu por todos os pecados, então não há base para ele punir ou condenar qualquer pecador para a perdição; fazendo assim do arminiano um universalista inconsistente. Que base há para punir o mesmo pecado duas vezes: na cruz e no pecador. Não há nenhuma.

Além disso, o contexto aqui não afirma o que Paulo quer dizer por “todos os homens”. Ele poderia se referir a cada pessoa individual, ou ele poderia se referir a todos os tipos de homens. Mais cedo nesta mesma epístola, no contexto similar de salvação e todos os homens, Paulo deixa claro que ele está se referindo a “todos os tipos de homens”, não cada pessoa individual que já viveu no planeta terra.

Alguns intérpretes tem sugerido que Deus é o “salvador de todos os homens” em um sentido físico-preservador — se você quiser, um salvador de graça comum.” Então ele é um salvador espiritual, especialmente daqueles que creem.

Esta é uma interpretação improvável uma vez que não há nada neste contexto onde Paulo define “salvador” nestas duas formas diferentes. E mais, o v. 8b fornece um contexto soteriológico, “da vida presente e da que há de vir.” E no v. 10 a leitura natural é que Paulo usa o mesmo significado para “salvador” pela humanidade em geral, e crentes em particular.

A interpretação mais plausível deste verso é o que eu chamo de interpretação exclusivismo-monoteístico. O que Paulo está dizendo é que Deus (e por extensão Cristo como redentor) é o único salvador real no mundo, portanto a humanidade não pode encontrar outro salvador competindo fora do Deus vivo. Eles não têm outro salvador para o qual tornar.

Não é por equívoco que a frase “Deus vivo”, um termo que sugere monoteísmo está conectado com este verso. Esta frase é frequentemente encontrada no contexto de politeísmo (At 14.15; I Ts 1.9; Js 3.10; I Sm 17.26, 36; II Rs 19.4). Desde que há um único Deus que é vivo, há somente um salvador para a humanidade abraçar.

Também, nesta mesma epístola Paulo faz uma declaração exclusiva parecida que há um mediador da salvação para humanidade: “pois há um só Deus e mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus homem” (I Tm 2.5). Aqui Paulo conecta isto com a verdade do “único Deus” com apenas um mediador, antecipando o que ele diz dois capítulos depois.

Além disso, isto é similar a declaração exclusiva de Jesus:

E disse Jesus: ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao pai senão por mim” (João 14.6)

E na mesma linha, Pedro proclama:

E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos.” (Atos 4.12).

Para toda a humanidade só há um caminho, verdade, vida, pai, nome, mediador e salvador— especialmente dos que creem.

Finalmente, eu quero concluir com outra interpretação que é convincente. O termo para “especialmente” é malista. George W. Knight III argumenta que este termo aqui deveria ser traduzido “isto é”, funcionando assim como a explicação ou maior esclarecimento da frase anterior. A tradução seria como se segue: “que é o salvador de todos os homens, isto é, dos que creem.” Então esta interpretação não vê “aqueles que creem” como um subconjunto de “todos os homens”; em vez disso, “os que creem” identifica quem são “todos os homens”. Ele escreve:

“A frase [malista pistōn, "especialmente os que creem"] contém a mesma qualificação que Paulo e o NT sempre colocam para receber a salvação de Deus, isto é, “confiar” em Deus como o único salvador. Absoluto [pistōn] como usado aqui e em outro lugar no NT refere-se àqueles que creem em Cristo, isto é, os crentes... malista geralmente tem sido traduzido como “especialmente” e considerado como de alguma forma distinguindo aquilo que o segue daquilo que vem antes dele. Skeat [“especialmente os pergaminhos”] argumenta de forma persuasiva que [malista] em alguns casos (II Tm 4.13; Tt 1.10, 11; e aqui) deveriam ser entendidos como fornecendo uma melhor definição ou identificação daquilo que o precede e assim o traduz pelas palavras “isto é”. Ele cita vários exemplos das letras de papiro que pareceriam requerer este sentido e que em seus casos particulares excluiriam o sentido alternativo contrário. Se sua proposta estiver correta aqui, o que parece mais adequado, então a frase [malista pistōn] deveria ser traduzida como “isto é, os crentes”. Este entendimento também está em linha com a afirmação de Paulo de que todos os tipos e condições de homens estão em Cristo (mesmo às vezes usando [pantes]) e com sua insistência naqueles contextos que todos estão em Cristo e têm salvação pela fé (cf. Gl 3.26-28).” NIGTC,The Pastoral Epistles, 203–4.

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Fonte: Alpha e Ômega Ministries 
Tradução: Francisco Alison Silva Aquino

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O que fazer quando não há uma verdadeira Igreja onde você vive




por John Knox


Conselhos saudáveis ​​de uma carta de John Knox dirigida a seus irmãos na Escócia. 

Meus queridos irmãos, não tanto para instruir-lhes como deixar-lhes algo do testemunho de meu amor por vocês, eu considerei como algo bom a comunicar-lhes meus débeis conselhos de como eu quero que se conduzam no meio desta geração maligna e perversa, no que diz respeito ao exercício da santíssima Palavra de Deus, sem a qual não se pode aumentar o conhecimento, nem se pode desenvolver a piedade, nem pode continuar o fervor espiritual entre vocês. Porque, assim como a Palavra de Deus é o princípio da vida espiritual, sem a qual toda a carne está morta na presença de Deus, e como é lâmpada para os nossos pés, sem cuja luz toda a posteridade de Adão anda em trevas, e como é o fundamento da fé, sem a qual ninguém pode compreender a boa vontade de Deus, assim também é o único órgão e instrumento que Deus usa para fortalecer os fracos, para confortar os aflitos, para trazer debaixo de misericórdia pelo arrependimento aqueles que se desviaram, e, finalmente, para preservar e guardar a mesma vida na alma contra todos os ataques e tentações.

Portanto, se vocês querem que vosso conhecimento cresça, que a vossa fé seja confirmada, que vossas consciências sejam aquietadas e consoladas, e, finalmente, [que] a vida seja preservada em vossa alma, cuidem de exercitarem-se frequentemente na lei do Senhor, vosso Deus. Não tenhais em pouco estima os preceitos que Moisés deu aos israelitas com estas palavras: “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.”( Deuteronômio 6:6-9 – ACF). E Moisés, em outro lugar, ordenou-lhes para “lembrarem-se da lei do Senhor Deus, para cumpri-la, para que lhes vá fosse bem a eles e a seus filhos na terra a qual o Senhor vosso Deus lhes daria”. Dando a entender que, assim como frequentemente recordar e repetir os preceitos de Deus é o meio pelo qual o temor de Deus (que é o princípio da sabedoria e bem-aventurança), é mantido vivo na mente; assim também a negligência e o esquecimento dos benefícios recebidos de Deus é o primeiro passo para distanciar-se de Deus.

Agora, se a Lei, a qual, por causa de nossa fraqueza, não opera nada mais do que raiva e fúria, foi tão eficaz (que relembrada e repetida, para pratica-la) [que] trouxe ao povo uma bênção corporal, o que diremos que não trará o glorioso Evangelho de Cristo Jesus quando tratado com reverência? Paulo lhe chama de cheiro de vida para aqueles que receberam a vida, usando a semelhança de ervas aromáticas e unguentos preciosos, cuja natureza é que quanto mais estes são friccionadas exalam seu aroma mais agradável e prazeroso; assim também, amados irmãos, é o bendito Evangelho de Jesus, nosso Senhor. Porque quanto mais nos ocupamos dele, mais confortável e agradável é para aqueles que o escutam, leem-no, ou  se exercitam no mesmo. 

Não ignoro, que como os filhos de Israel se enfastiaram do maná, porque era o único que viam e comiam todos os dias, assim também agora há alguns que depois de ler algumas porções da Escritura, se voltam de todo aos escritores profanos ou escritos humanos. Porque a variedade de assuntos que estes contêm trazem com e para eles deleite diário. Por outro lado, dentro das Escrituras de Deus não há muito adorno humano em si, a repetição de uma coisa lhes é chata e cansativa. Confesso que essa tentação pode entrar até mesmo nos eleitos por um tempo, porém é impossível que continue até o fim. Porque os eleitos de Deus, além de outras características evidentes, possuem sempre esta unida com as demais, que os eleitos de Deus são chamados para fora da ignorância (falo dos que têm idade suficiente para compreender) para provar e sentir um pouco da misericórdia de Deus, da qual nunca estão satisfeitos nesta vida, mas que ocasionalmente têm fome e sede de comer o pão que desceu do céu e de beber a água que salta para a vida eterna. O que não podem fazer, senão pelo meio ou pelo instrumento da Fé, e a Fé sempre objetiva a vontade de Deus revelada pela Palavra, de maneira que a Fé tem tanto o seu início como sua continuação pela Palavra de Deus. E por isto eu digo, que é impossível que os filhos escolhidos por Deus possam depreciar ou rejeitar a Palavra de sua salvação por muito tempo, como tampouco podem enfastiar-se dela definitivamente.

É coisa comum que os eleitos de Deus são mantidos em tal escravidão e servidão, de modo que eles não podem conseguir que se lhes conceda o pão da vida, como tampouco têm a liberdade para exercitar-se na Palavra de Deus. Mas eles não se enfastiam, antes de bom grado anelam o alimento da sua alma, antes acusam sua negligência anterior, e lamentarem a aflição miserável de seus irmãos, e clamam e pedem em seus corações (e também em público, onde eles podem) para que corram livremente ao Evangelho. Esta fome e sede confirma que existe vida em suas almas. Mas se tais homens, que têm a liberdade de ler e exercitarem-se a si mesmo nas Escrituras, começam a fadigar-se porque quase sempre leem o mesmo, eu pergunto, por que não se cansam também de comer o pão de cada dia? Por que não se cansam de beber vinho todos os dias [não o tipo de bebidas alcoólicas de hoje]? Por que não se cansam de olhar diariamente a luz do sol? Por que não se cansam de usar as demais criaturas de Deus que mantêm diariamente sua própria substância, curso e natureza? Penso que responderam: “Porque tais criaturas têm um poder [quantas vezes são usadas para suprimir a fome e a sede e para infundir alento e forças e] para preservar a vida.” Oh, criaturas miseráveis! Quem se atreve a atribuir mais poder e força a criaturas corruptíveis para nutrir e preservar o corpo humano mortal, do que à Palavra eterna de Deus para nutrir a alma que é imortal! O querer arrazoar com sua ingratidão abominável não é o meu propósito agora. Porém a vós outros, amados Irmãos, quero compartilhar meu conhecimento e lhes abrir a minha consciência, que é tão necessário como é o uso de comida e da bebida para preservar a vida do corpo, e assim como necessário é o calor e a luz do sol para dar vida a erva e para dissipar as trevas, assim também é necessário para a vida eterna, e para a iluminação e  luz da alma, a meditação, exercício e uso perpétuo da Sagrada Palavra de Deus.

Portanto, queridos Irmãos, se anelais a vida vindoura, por necessidade devem exercitarem-se a si mesmos no Livro do Senhor, vosso Deus. Que não haja nenhum dia que não recebais algum consolo da boca de Deus. Abram seus ouvidos, e Ele falará coisas deleitosas ao vosso coração. Não fechem seus olhos, antes com diligência contempleis que porção substanciosa vos é deixada no Testamento de vosso Pai. Que suas línguas aprendam a louvar a Sua terna bondade, em cuja, somente por misericórdia, vos chamou das trevas para a luz, da morte para a vida. Tampouco façais isto tão privadamente que não admita testemunhas. Não, irmãos, o Senhor Deus vos ordena que vocês governem suas casas em verdadeiro temor, e de acordo com a Sua Palavra. Dentro de suas casas, digo, em alguns casos, sóis bispos e reis, sua esposa, filhos e família são o vosso bispado e encargo. Disto se vos pedirá conta de quanto cuidado e diligência usastes para instruí-los no verdadeiro conhecimento de Deus, de como procurastes implantar virtudes e reprimir vícios. Por tanto, digo, vocês devem faze-los participantes da leitura, da exortação e da oração comuns, a qual deveria acontecer em cada casa pelos menos uma vez por dia. Mas, acima de tudo, queridos irmãos, procurem praticar diariamente e viver como manda a Palavra de Deus, e então vocês comprovarão que nunca ouvireis ou lerei o mesmo sem que obtenhais algum fruto. Creio que isto é o suficiente para os exercícios dentro de vossa casa.

Considerando-se que Paulo chama a igreja de “o corpo de Cristo”, do qual cada um de nós é membro, e ensinando-nos com que nenhum membro pode sustentar-se e alimentar-se sem a ajuda e o apoio de outro, creio que é necessário que se tenham estudos e palestras sobre as Escrituras como reuniões entre irmãos. Como Paulo dá a ordem a ser observada para isto [1 Coríntios 14:26-29], somente quero salientar que, quando vos reunais, que seria bom fazê-lo uma vez por semana, que seu início fosse confessando seus pecados e implorando que o Espírito do Senhor os assista em todos os vossos projetos e objetivos espirituais. Depois que se leia alguma porção das Escrituras de forma clara e modesta, tanto quando se pense ser necessário para a ocasião ou tempo. Quando terminar, se algum irmão tem exortação, pergunta ou dúvida, que não tenha medo de falar ou trata-la ali mesmo, fazendo-o com moderação, seja para edificar [a outros] ou para edificar-se. E sem dúvida disto virá grande proveito. Porque, em primeiro lugar, o ouvir, ler e estudar as Escrituras nestas reuniões ajudarão a examinar o juízo e a atitude das pessoas, sua paciência e modéstia serão conhecidos e, finalmente, seus dons e expressões serão manifestos. Por outro lado, deve ser evitado em todas as ocasiões e em todos os lugares os falatórios vãos, as interpretações longas e aborrecidas e a teimosia sobre pontos controversos. Mas acima de tudo, quando se reunirem como igreja, ali nada deve ser considerado mais em conta do que a glória de Deus e o consolo e edificação dos irmãos.

Se algo brota do contexto em discussão ou debate que vosso juízo não pode resolver ou vossas faculdades não podem compreender, que seja observado e escrito antes do final da reunião, para que quando Deus proveja uma solução para o assunto, suas dúvidas que brotaram sejam resolvidas com mais facilidade. Por outro lado, se vocês tem a oportunidade de escrever ou se comunicar com outros, suas cartas manifestarão o vosso grande desejo por Deus e por Sua verdadeira religião. Não duvido que eles, segundo seus talentos se esforçarão e lhes concederão seu fiel trabalho para atender às suas solicitações devotas. Quanto a mim mesmo falo o que eu penso: empregaria quinze horas com muito bom gosto (segundo agrada a Deus iluminar-me) para lhes explicar alguma porção das Escrituras, do que meia hora em outra coisa.

Ademais, eu gostaria que, na leitura das Escrituras, tomem também alguns livros do Antigo Testamento e alguns do Novo, como Gênesis e um dos Evangelhos, Êxodo com outro livro, etc., porém sempre terminando [a leitura] dos livros que você começaram (segundo lhes permita o tempo). Pois lhes confortará o ouvir a harmonia e a concordância do Espírito Santo, falando através de nossos pais desde o princípio. Os confirmará nestes dias perigosos o contemplar a face de Jesus Cristo, o amado esposo, e sua igreja, desde de Abel até o próprio Cristo, e de Cristo até este dia, que há unidade e um mesmo propósito em todas as gerações. Estudem com frequência os profetas e as epístolas de Paulo. Pois a abundância de  assuntos mui consoladores que estão ali requerem exercício e uma boa memória. Semelhantemente, assim como as vossas reuniões devem começar com a confissão e súplica do Espírito de Deus, assim também deve acabar com ações de graças e orações pelos governantes e magistrados, pela liberdade do Evangelho de Cristo, que seja anunciado livremente, para o consolo e liberdade dos nossos irmãos que ainda estão sob tirania e servidão, por outras coisas que o Espírito do Senhor Jesus Cristo os ensine que vos é útil, seja para vós mesmos, ou para os seus irmãos, onde quer que estejam.

Se assim for (ou até melhor) ouço que vos exercitais a vós mesmos, queridos Irmãos, então louvarei a Deus por sua grande obediência, como também para aqueles que receberam a palavra de graça não somente com gozo, mas também com solicitude e diligência, e guardam a mesma como um tesouro e uma joia preciosa. E porque eu não tenho suspeitas de que fareis o contrário, não usarei de ameaças. Bem, a minha sincera esperança é que vocês andem em meio a esta geração perversa como filhos da luz, que sereis como estrelas à noite (que não são envolvidas pelas trevas), que sereis como o trigo entre o joio, e que sem embaraço não mudareis vossa natureza que recebestes pela graça, através da comunhão e participação que temos com o Senhor Jesus Cristo em Seu corpo e em Seu sangue. E, finalmente, que sereis do número das virgens prudentes, que diariamente granjeiam e enchem suas lâmpadas com azeite, enquanto aguardam pacientemente a aparição gloriosa e vinda do Senhor Jesus Cristo, cujo Espírito onipotente governe e instrua, ilumine e conforte suas mentes e corações em toda provação, agora e sempre. Amém.

A graça do Senhor Jesus Cristo seja convosco.

Lembrem-se de minhas fraquezas em suas orações. 


07 julho de 1556.

Vosso sincero irmão,


John Knox


***
Traduzido por: William Teixeira
Revisão: Camila Rebeca Almeida
 

Via: http://bereianos.blogspot.com.br

Respondendo ao Problema do Mal

R. C. Sproul27 de Março de 2014 - Ética
O Dr. John Gerstner, meu estimado mentor, certamente levava jeito para ganhar a minha atenção e me ajudar a pensar de forma mais clara. Eu ainda me lembro quando disse a ele que eu pensava que o problema do mal era irresolúvel. Tendo notado que os melhores apologetas e teólogos na história da igreja não responderam todas as questões levantadas pela existência do mal neste mundo, eu disse a ele que ninguém jamais resolveria o problema deste lado da eternidade. Ele se virou e me repreendeu: “Como você sabe que o problema do mal nunca será resolvido”, ele perguntou. “Talvez você ou outro pensador seja aquele que Deus apontou para resolver essa questão”.
Com o devido respeito ao Dr. Gerstner, eu acho que ele superestimava os seus alunos. Eu não mudei a minha opinião sobre o problema do mal desde aquela conversa. Nos muitos anos em que ensinei filosofia, apologética e teologia, e nas muitas conversas que tive com pessoas feridas, uma resposta completa para o problema do mal permanece evasiva. Quando muito, eventos recentes fazem o problema parecer mais crítico. Só no ano de 2012, lidamos com um ataque terrorista na Maratona de Boston e com o atirador da Sandy Hook Elementary School em Connecticut. O Furacão Sandy matou quase 300 pessoas no nordeste dos Estados Unidos. Poderíamos também mencionar as centenas de milhares de pessoas que morreram nos tsunamis em 2004 e 2011. A lista é quase infinita.
Colocar um rosto humano no mal pode torná-lo mais inteligível — não é surpresa que pessoas más façam coisas más. A violência da natureza pode ser ainda mais perturbadora. Como lidamos com desastres naturais que não respeitam pessoas, mas de forma indiscriminada tiram vidas de idosos, bebês e deficientes, além de crianças e adultos? “Como”, muitas pessoas — até cristãos — perguntam, “pode um Deus bom permitir que tais coisas aconteçam?”.
Não há falta de especulação na tentativa de responder a essas questões. Indivíduos bem intencionados sugeriram incontáveis teodicéias — tentativas de justificar e vindicar Deus devido à presença do mal no mundo. Em seu livro publicado no século XVIII, Theodicy, o filósofo Gottfried Leibniz tentou explicar o mal sugerindo que nós vivemos no “melhor de todos os mundos possíveis”. Outros pensadores disseram que o mal é necessário para nos tornar pessoas virtuosas ou para preservar a realidade do livre arbítrio. Tais respostas falham em satisfazer o problema do mal, e normalmente sacrificam a soberania de Deus no processo.
Não penso que Deus nos revelou uma resposta plena e definitiva para o problema do mal e do sofrimento. Contudo, isso não significa que ele tem estado em silêncio sobre a questão. A Escritura nos dá sim algumas diretrizes úteis:
Primeiro, o mal não é uma ilusão — ele é muito real. Algumas religiões ensinam que o mal é irreal, mas a Bíblia nunca minimiza a verdade da miséria e da dor. Além do mais, os personagens bíblicos nos mostram que uma indiferença estoica ao mal não é a resposta correta. Eles rasgam suas vestes, oferecem lamentações a Deus, choram lágrimas reais. Nosso Salvador caminhou a Via Dolorosacomo o Homem de Dores que conheceu nosso sofrimento.
Segundo, Deus não é caprichoso ou arbitrário. Ele não age irracionalmente, nem demonstra ou permite violência sem propósito. Isso não significa que sempre sabemos o motivo de um mal em particular ocorrer em determinado lugar ou momento. Por não sabermos todas as razões por trás de cada mal em específico, não podemos fazer fáceis conexões entre a culpa e o desastre, entre o pecado de uma pessoa e o mal que recai sobre ela. Textos que incluem o livro de Jó e João 9 nos impedem de declarar universalmente que a dor é uma punição por pecados específicos. Isso significa que quando desastres inexplicáveis ocorrem, devemos dizer com Martinho Lutero: “Que Deus seja Deus”. O clamor de Jó “o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR!” (Jó 1.21) não foi uma demonstração superficial de piedade ou negação da dor. Pelo contrário, Jó mordeu seus lábios e cerrou seu estômago enquanto se manteve fiel diante da tragédia e do sofrimento absoluto. Jó sabia quem Deus era, e se recusou a amaldiçoá-lo.
Terceiro, este não é o melhor de todos os mundos possíveis. Este mundo é caído. O sofrimento só está aqui porque o pecado desfigurou uma criação que, do contrário, seria boa. É claro que isso não significa que todo o sofrimento esteja ligado a um pecado específico ou que possamos fazer uma correlação, par a par, entre o nível do pecado de uma pessoa e o grau do seu sofrimento. Contudo, o sofrimento pertence à esfera mais abrangente do pecado que as pessoas encontram aqui nesta terra. Enquanto a criação sofre com a violência da humanidade, ela devolve essa violência. A Bíblia nos diz que a criação se enfurece com seus mestres e exploradores humanos. Em vez de administrar a terra sabiamente e povoá-la, nós a exploramos e a poluímos. Até que Cristo retorne com os novos céus e a nova terra, lidaremos com tempestades, terremotos e enchentes. Até lá, ansiaremos por uma criação renovada.
Por fim, o mal não é definitivo. O cristianismo nunca nega o horror do mal, mas também não o considera como tendo qualquer poder maior ou igual ao de Deus. A palavra final da Escritura sobre o mal é triunfo. A criação geme enquanto aguarda por sua redenção final, mas esse gemido não é em vão. Sobre toda a criação está o Cristo ressurreto —Christus Victor — que triunfou sobre os poderes do mal e fará novas todas as coisas.
Tradução: Alan Cristie

Fonte: http://ministeriofiel.com.br/artigos


O homem a quem Deus usa




Referência: Lucas 3.1-14
INTRODUÇÃO
1. A maior necessidade do mundo é de Deus que sejam usados por Deus. Deus não unge métodos, Deus unge homens. Não precisamos de melhores métodos, mas de melhores homens.
2. Havia 400 anos que a Nação de Israel estava sem ouvir a voz profética. Ele não veio da classe sacerdotal. Não veio no palácio. Mas veio a Palavra do Senhor a João, no deserto. Deus usa gente estranha, em lugares estranhos.
3. João Batista era fruto de profecia, resposta de oração, milagre do céu.
I. É UM HOMEM COM UMA MISSÃO – V. 4
1. Por que Deus usou este homem?
a) Porque ele não era um caniço balançado pelo vento (Mt 11:7-11)
Hoje estamos vendo líderes vendendo seu ministério, negociando valores absolutos, mercadejando o evangelho. João não transigia com a verdade. Ele denunciava o pecado na vida do rei, dos religiosos, dos soldados e do povo.
Ele não era um profeta da conveniência. Seus inimigos diziam: Tem demônio; Jesus dizia: É profeta!
b) Porque era uma lâmpada que ardia e alumiava (Jo 1:6-9)
Ele não era a luz, mas uma lâmpada que ardia e alumiava. Ele apontou para Jesus: “Eis o Cordeiro de Deus”. Ele não buscou glórias para si mesmo. Disse: “Convém que ele cresça e eu diminua”.
Ele era como uma vela: iluminou com intensidade enquanto viveu.
c) Porque ele não era um eco, mas uma voz (Jo 1:22,23)
João não apenas proferia a verdade, ele era boca de Deus. Ele falava com poder. Hoje, há muitas palavras, mas pouco poder; as pessoas escutam belos discursos, mas não vêm vida. Ele prega o conhece e experimenta. Ele não era da elite sacerdotal. Ele não estava no templo. Mas havia poder em sua vida.
Não basta ser um eco, é preciso ser uma voz. Não basta carregar o bastão profético como Geazi, é preciso ter poder como Eliseu. Não basta falar aos homens, é preciso conhecer a intimidade de Deus.
“Se Deus não falou com você, não fale a nós.”
d) Porque ele era um homem humilde (Mt 3:11)
João Batista disse: “eu não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias”. Disse ainda: “Convém que ele cresça e eu diminua”.
Lata vazia é que faz barulho. Espiga chocha é que fica empinada.
O albatroz voa baixo porque tem o papo muito grande.
e) Porque ele era um homem corajoso (Lc 3:19)
João Batista não aplaudiu Herodes quando ele casou-se com a mulher do seu irmão. Ele denunciou o pecado do rei. Ele preferiu ser preso e ser degolado do que transigir com a verdade. Ele preferiu a morte à infidelidade.
Hoje, há pastores que vendem o ministério e a própria alma por dinheiro. Em vez de denunciar o mal, praticam-no.
f) Porque era um homem cheio do Espírito Santo (Lc 1:15)
João Batista era um homem cheio do Espírito Santo desde o ventre materno.
Aos 5 meses de idade, estremeceu de alegria no ventre da sua mãe. Aos 5 meses já vibrava por Cristo. Há muitos que envelhecem frios e indiferentes ao Salvador.
2. Como Deus usou este homem?
a) Deus usou este homem para aterrar os vales (Lc 3:5)
Vale é uma depressão, um buraco – Há abismos na vida do povo: impureza, desânimo, comodismo, mundanismo.
Vale separa dois montes – Falta de comunhão, mágoa, contendas, maledicência.
b) Deus usou este homem para niver os montes (Lc 3:5)
Montes falam de soberba – O orgulho são montanhas que impedem a passagem do Senhor. Onde há soberba Deus não se manifesta. Nabucodonosor foi comer capim. Herodes foi comido de vermes.
Montes falam de incredulidade – A increduldade nos afasta de Deus e de suas bênçãos.
c) Deus usou este homem para endireitar os caminhos tortos (Lc 3:5)
Caminho torto fala de duplicidade, hipocrisia, e desonestidade – Muitas pessoas são impedimentos para a manifestação de Cristo, porque têm vida dupla. São uma coisa na igreja e outra em casa.
d) Deus usou este homem para aplainar os caminhos escabrosos (Lc 3:5)
Caminho escabroso fala de algo que está fora do lugar – Há algo fora do lugar em sua vida: vida devocional? Namoro? Casamento? Dinheiro? Dízimo?
II. É UM HOMEM COM UMA MENSAGEM – Lc 3:8
1. A Palavra que ele prega é Palavra de Deus e não palavras de homens – Lc 3:2
Depois de 400 anos de silêncio profético, João aparece pregando sobre arrependimento. A nação havia se desviado de Deus. A religião estava corrompida. Os palácios estavam corrompidos. Os que trabalhavam na secretaria da fazenda estavam corrompidos. Os soldados estavam corrompidos.
A mensagem do arrependimento não é popular. Não é palatável. Mas, João não quer agradar a homens, mas a Deus.
Nossa nação está vivendo um tempo de crise sem precedentes. Estamos de luto. Nossas instituições estão doentes. A corrupção está no DNA da Nação.
a) Numa época de crise moral na nação
Os líderes religiosos da nação estavam corrompidos: Anás e Caifás eram sumo sacerdotes, mas não conheciam a Deus.
A polícia extorquia o povo para engordar o salário e fazia denúncias falsas.
Herodes, era um homem devasso e adúltero.
Nosso país atravessa uma aguda crise moral: lares sendo destruídos; o tráfico de drogas crescendo, o nosso parlamento se enchendo da lama da corrupção. A corrupção ganhando o cérebro e o coração da nação.
b) Numa época de crise social na nação
O povo trabalhava, mas Roma ficava com o lucro. Reinava a pobreza, a fome, o desespero. O Brasil é o segundo país do mundo com o pior distribuição de renda.
Vivemos a crise da pobreza, da fome, da violência, da impunidade.
c) Numa época de crise política na nação
A nação estava nas mãos de homens maus. Pôncio Pilatos e Herodes eram um espelho da nação.
Nossa representação política agoniza num dos níveis mais baixos de descrédito, de desmoralização, de aviltamento da honra.
d) Numa época de crise espiritual na nação
O povo era religioso, mas não convertido. Eles não produziam frutos dignos de arrependimento.
O povo estava descansando numa falsa segurança (v. 8).
O povo estava indo para o juízo, sem se preparar (v. 7,9).
Hoje, a igreja evangélica cresce, mas a nação não muda. As pessoas estão entrando para um outro evangelho, o evangelho da conveniência.
2. O cenário em que ele prega e quem ele é demonstram que Deus pode trazer restauração para a nação a partir do próprio caos (Mt 3:5)
e) O local parecia impróprio – Era no deserto – João não pregava no templo, nas sinagogas, nas praças floridas de Jerusalém, mas no deserto árido da Judéia.
f) A apresentação pessoal parecia imprópria – Vestia-se não de terno, mas de peles de camelo. Não comia nos restaurantes requintados de Jerusalém, mas alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. Não aperou um só milagre. Não se assentou aos pés dos grandes mestres. Não se apresentava como Exmo. Sr. Dr. Professor João. Mas ele abalou uma nação! Fez tremer o palácio de Herodes.
g) Mas a multidão é atraída – Vinha a ele Jerusalém, toda a Judéia e toda a circunvizinhança do Jordão. Oh! Que Deus levanta homens nessa Nação com a fibra de João. Que as multidões possam ser confrontadas!
3. As pessoas que ele chama ao arrependimento revelam sua ousadia espiritual
a) Os fariseus e saduceus (Mt 3:7-9) – Ele denunciou os conservadores fariseus e os liberais saduceus. A religião judaica estava tomada por um bando de homens não convertidos.
b) A multidão (Lc 3:10) – “Que havemos de fazer?” Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem. Quem tiver comida, faça o mesmo.
c) Os Publicanos (Lc 3:12) – “Não cobreis mais do que o estipulado”. Honestidade nas transações. Deixem de lado as superfaturações.
d) Os soldados (Lc 3:14) – “A ninguém maltrateis, não deis denúncia falsa, contentai-vos com o vosso soldo”.
e) Herodes (Lc 3:19) – João denunciou o pecado do rei. Chamou-o de adúltero.
f) O arrependimento é grande manchete de Deus – a) Na preparação – João Batista diz: Arrependei-vos; b) Na Inauguração – Jesus vem e conclama: Arrependei-vos; c) No Pentecostes – Pedro prega: Arrependei-vos.
g) O arrependimento envolve: 1) Generosidade no dar (v. 10,11); 2) Honestidade nos negócios (v. 12,13); 3) Justiça nos relacionamentos (v. 14); 4) Integridade na palavra; 5) Ausência de ganância
III. É UM HOMEM COM UMA CONVICÇÃO – Lc 3:9: “Mas já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo”.
1. A mensagem de Deus é arrepender e viver ou não arrepender e morrer
A mensagem do evangelho traz salvação e condenação.
O ímpio não permanecerá na congregação dos justos.
Quem não estiver trajado de vestes nupciais será lançado fora.
A figueira sem fruto secou desde à raiz.
A figueira estéril será cortada.
2. A mensagem de Deus é um apelo urgente a todos
O apelo de Deus alcança os religiosos, a multidão, os soldados, os publicanos. Deus desnuda a todos. As máscaras caem. Deus diz o machado já está posto na raiz. Não dá mais para esperar. O tempo é agora. O reino já chegou.
Deus espera agora frutos dignos de arrependimento!
Você tem produzido frutos dignos de arrependimento?
3. A mensagem Deus mostra o juízo inevitável para quem deixa de arrepender-se – v. 7-8
O tempo de João era de profunda crise espiritual. Os próprios líderes eram homens não regenerados. A multidão estava perdida. Havia crise nos políticos, nos comerciantes, na polícia. João diz que a ira vindoura chegará.
Os que escapam dos tribunais da terra, jamais escaparão da ira de Deus!
CONCLUSÃO
1. O arrependimento prepara o caminho para uma grande bênção
a) Uma bênção sem limites – “toda a carne vera a salvação de Deus”
Quando a igreja se arrepende, o mundo vê a salvação de Deus.
Quando a igreja se volta para Deus, o mundo experimenta a salvação de Deus.
b) Uma bênção inequívoca – “toda a carne VERÁ”
Quando a igreja se arrepende, a salvação de Deus irromperá além das quatro paredes. Multidões virão a Cristo.
O avivamento que alcança o mundo com a salvação, começa com a igreja através do arrependimento.
c) Uma bênção indizível – “toda a carne verá a salvação de Deus”
Quando a igreja acerta sua vida com Deus, algo tremendo e extraordinário pode acontecer no mundo.
Se queremos ver nossa cidade impactada, precisamos acertar nossa vida com Deus. Precisamos aplicar os princípios de Deus em nossa própria vida.
Exemplo: Jonathan Gofford na China, pedindo avivamento.

Ao Cometer Suicídio, o Cristão Perde a Salvação?

Miguel Núñez20 de Janeiro de 2014 - Vida Cristã
Esse tem sido um dos temas mais controversos ao longo dos anos, e que lamentavelmente muitos têm respondido de uma maneira emocional e não através da análise bíblica. Aqueles de nós que crescemos no catolicismo sempre ouvimos que o suicídio é um pecado mortal que irremediavelmente envia a pessoa para o inferno. Para muitos que têm crescido com essa posição, é impossível despojar-se dessa ideia.
Outros têm estudado o tema e, depois de fazê-lo, concluem que nenhum cristão seria capaz de acabar com sua própria vida. Há outros que afirmam que um cristão poderia cometer suicídio, mas perderia a salvação. E ainda outros pensam que um cristão poderia cometer suicídio em situações extremas, sem que isso o conduza à condenação.
Em essência temos, então, quatro posições:

  1. Todo aquele que comete suicídio, sob qualquer circunstância, vai para o inferno (posição Católica Tradicional).
  2. Um cristão nunca chega a cometer suicídio, porque Deus impediria.
  3. Um cristão pode cometer suicídio, mas perderá sua salvação.
  4. Um cristão pode cometer suicídio, sem que necessariamente perca sua salvação.

A primeira dessas quatro posições foi basicamente a única crença até a época da Reforma, quando a doutrina da salvação (Soteriologia) começou a ser melhor estudada e entendida. Nesse momento, tanto Lutero como Calvino concluíram que eles não podiam afirmar categoricamente que um cristão não poderia cometer suicídio e/ou o que se suicidava iria ser condenado. Na medida em que a salvação das almas foi sendo analisada em detalhes, muitos dos reformadores começaram a fazer conclusões, de maneira distinta, sobre a posição que a Igreja de Roma tinha até então.
No fim das contas, a pergunta é: O Que a Bíblia diz?
Começamos mencionando aquelas coisas que sabemos de maneira definitiva a partir da revelação de Deus:

  • O ser humano é totalmente depravado (primeiro ponto do TULIP calvinista). Com isso, não queremos dizer que o ser humano é tão mal quanto poderia ser, mas que todas as suas capacidades estão manchadas pelo pecado: sua mente ou intelecto, seu coração ou emoções, e sua vontade.
  • O cristão foi regenerado, mas mesmo depois de ter nascido de novo, devido à permanência da natureza carnal, continua com a capacidade de cometer qualquer pecado, com a exceção do pecado imperdoável.
  • O pecado imperdoável é mencionado em Marcos 3:25-32 e outras passagens, e a partir desse contexto podemos concluir que esse pecado se refere à rejeição contínua da ação do Espírito Santo na conversão do homem. Outros, a partir dessa passagem citada, atribuem a Satanás as obras do Espírito de Deus. Obviamente, em ambos os casos está se fazendo referência a uma pessoa incrédula.
  • De maneira particular, queremos destacar que o cristão é capaz de tirar a vida de outra pessoa, como fez o Rei Davi, sem que isso afete a sua salvação.
  • O sacrifício de Cristo na cruz perdoou todos os nossos pecados: passados, presentes e futuros (Colossenses 2:13-14, Hebreus 10:11-18)
  • O anterior implica que o pecado que um cristão cometerá amanhã foi perdoado na cruz, onde Cristo nos justificou, e fomos declarados justos sem de fato sermos, e o fez como uma só ação que não necessita ser repetida no futuro. Na cruz, Cristo não nos tornou justificáveis, mas justificados (Romanos 3:23-26, Romanos 8:29-30)

A salvação e o ato do suicídio
Dentro do movimento evangélico existe um grupo de crentes, a quem já aludimos, denominados Arminianos, que diferem dos Calvinistas em relação à doutrina da salvação. Uma dessas diferenças, que não é a única, gira em torno da possibilidade de um cristão poder perder a salvação. Uma grande maioria nesse grupo crê que o suicídio é um dos pecados capazes de tirar a salvação do crente. Nós, que afirmamos a segurança eterna do crente (Perseverança dos Santos), não somos daqueles que acreditam que o suicídio ou qualquer outro pecado eliminaria a salvação que Cristo comprou na cruz.
Tanto na posição Calvinista como na Arminiana, alguns afirmam que um cristão jamais cometerá suicídio. No entanto, não existe nenhum versículo ou passagem bíblica que possa ser usado para categoricamente afirmar essa posição. Alguns, sabendo disso, defendem sua posição indicando que na Bíblia não há nenhum suicídio cometido pelos crentes, enquanto aparecem vários casos de personagens não crentes que acabaram com suas vidas. Com relação a essa observação, gostaria de dizer que usar isso para estabelecer que um cristão não pode cometer suicido não é uma conclusão sábia, porque estamos fazendo uso de um argumento de silêncio, que na lógica é o mais débil de todos. Há várias coisas não mencionadas na Bíblia (centenas ou talvez milhares) e se fizermos uso de argumentos de silêncio, estamos correndo o risco de estabelecer possíveis verdades nunca reveladas na Bíblia. Exemplo: não aparece um só relato de Jesus rindo; a partir disso eu poderia concluir que Jesus nunca riu ou não tinha capacidade para rir. Seria esse um argumento sólido? Obviamente não.
Gostaríamos de enfatizar que, se alguém que vive uma vida consistente com a fé cristã comete suicídio, teríamos que nos perguntar antes de ir mais além, se realmente essa pessoa evidenciava frutos de salvação, ou se sua vida era mais uma religiosidade do que qualquer outra coisa. Eu acho que, provavelmente, esse seria o caso da maioria dos suicídios dos chamados cristãos.
Apesar disso, cremos que, como Jó, Moisés, Elias e Jeremias, os cristãos podem se deprimir tanto a ponto de quererem morrer. E se esse cristão não tem um chamado e um caráter tão forte como o desses homens, pensamos que pode ir além do mero desejo e acabar tirando a própria vida. Nesse caso, o que Deus permitir acontecer pode representar parte da disciplina de Deus, por esse cristão não ter feito uso dos meios da graça dentro do corpo de Cristo, proporcionados por Deus para a ajuda de seus filhos.
Muitos acreditam, como já mencionamos, que esse pecado cometido no último momento não proveu oportunidade para o arrependimento, e é isso o que termina roubando-lhe a salvação ao suicidar-se. Eu quero que o leitor faça uma pausa nesse momento e questione o que aconteceria se ele morresse nesse exato momento, se ele pensa que morreria livre de pecado. A resposta para essa pergunta é evidente:Não! Ninguém morre sem pecado, porque não há nenhum instante em nossas vidas em que o ser humano está completamente livre do pecado. Em cada momento de nossa existência há pecados em nossas vidas dos quais não estamos nem sequer apercebidos, e outros que nem conhecemos, mas que nesse momento não temos nos dirigido ao Pai para buscar seu perdão, simplesmente porque o consideramos um pecado menos grave, ou porque estamos esperando pelo momento apropriado para ir orar e pedir tal perdão.
A realidade sobre isso é que, quando Cristo morreu na cruz, ele pagou por nossos pecados passados, presentes e futuros, como já dissemos. Portanto, o mesmo sacrifício que cobre os pecados que permanecerão conosco até o momento de nossa morte é o que cobrirá um pecado como o suicídio. A Palavra de Deus é clara emRomanos 8:38 e 39: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”.Note que o texto diz que “nenhuma outra coisa criada”. Esta frase inclui o próprio crente. Notemos também que essa passagem fala que “nem as coisas do presente, nem do porvir”, fazendo referência às situações futuras que ainda não vivemos. Por outro lado, João 10:27-29 nos fala que ninguém pode nos arrebatar da mão de nosso Pai, eFilipenses 1:6 diz que “aquele que começou a boa obra em vós, há de completá-la até o dia de Cristo Jesus”. Concluindo:

  • Se estabelecemos que o cristão é capaz de cometer qualquer pecado, por que não conceber que potencialmente ele poderá cometer o pecado do suicídio?
  • Se estabelecemos que o sangue de Cristo é capaz de perdoar todo pecado, ele não cobriria esse outro pecado?
  • Se o sacrifício na cruz nos tornou perfeitos para sempre, como diz o autor de Hebreus (7:28, 10:14), não seria isso suficiente para afirmarmos que nenhum pecado rouba a nossa salvação?
  • Se até Moisés chegou a desejar que Deus lhe tirasse a vida, devido à pressão que o povo exerceu sobre ele, não poderia um paciente esquizofrênico ou na condição de depressão extrema, que não tenha a força de caráter de um Moisés, atentar contra a sua própria vida de maneira definitiva?
  • Se não somos Deus e não temos nenhuma maneira de medir a conversão interior do ser humano, poderíamos afirmar categoricamente que alguém que deu testemunho de cristão durante sua vida, ao cometer suicídio, realmente não era um cristão?
  • Baseados na história bíblica e na experiência do povo de Deus, poderíamos concluir que o suicídio entre crentes provavelmente é uma ocorrência extraordinariamente rara, devido à ação do Espírito Santo e aos meios de graça presentes no corpo de Cristo.
  • Pensamos que o suicídio é um pecado grave, porque atenta contra a vida humana. Mas já estabelecemos que um crente é capaz de eliminar a vida humana, como o fez Davi. Se eu posso fazer algo contra alguém, como não conceber que posso fazê-lo contra mim mesmo? Essa é a nossa posição.

Como você pode ver, não é tão fácil estabelecer uma posição categórica sobre o suicídio e a salvação. Tudo o que podemos fazer é raciocinar através de verdades teológicas claramente estabelecidas, a fim de chegar a uma provável conclusão sobre um fato não estabelecido de forma definitiva. Portanto, quanto mais coerentemente teológico for meu argumento, mais provável será a conclusão que eu chegar. Agostinho tinha razão ao dizer: “Naquilo que é essencial, unidade; naquilo que é duvidoso, liberdade; e em todas as coisas, caridade”. Minha recomendação é que você possa fazer um estudo exaustivo, outra vez ou pela primeira vez, acerca de tudo o que Deus disse sobre a salvação, que é muito mais importante que o suicídio, que é quase nada.

Fonte: http://ministeriofiel.com.br/artigos

Cuidado com o Significado Oculto da Raiz de uma Palavra

Robert Cara31 de Julho de 2014 - Teologia
No meu seminário, eu frequentemente leciono o curso introdutório de grego. No primeiro ou no segundo dia de aula, eu e pelo menos um aluno temos a seguinte conversa típica durante um dos intervalos:
- Dr. Cara, é verdade que pecado no Novo Testamento significa “errar o alvo”?
- Bom, não exatamente. Na Bíblia, pecado significa violar a lei de Deus. Sim, é verdade que a palavra grega traduzida como “pecado”,hamartia, é uma combinação de “não” e “alvo”, mas esse não é seu significado na Bíblia.
- Estou confuso. Muitas pessoas já me disseram que o real significado é “errar o alvo”.
- Muitos séculos antes do Novo Testamento ter sido escrito, a palavra pode ter sido cunhada baseada em alguém atirando uma lança e “errando o alvo”. Mas isso não tem relação com o significado da palavra no Novo Testamento. De fato, enfatizar “errar o alvo” como o significado real pode induzir as pessoas a pensarem que pecado é apenas quando alguém tenta o seu melhor e falha - ela tentou acertar o alvo, mas errou. Se me permite dizer, você está confundindo a história de uma palavra e sua possível derivação original com o seu significado durante o período do Novo Testamento. Você está cometendo aquilo que se chama de “falácia etimológica”, sobre o qual falaremos mais tarde no curso.
- Ah... próxima pergunta: predicados nominais cairão no teste amanhã?
Etimologia
Antes de abordar algumas falácias etimológicas, um breve resumo de como as palavras “funcionam” é útil. Em geral, palavras individuais têm uma gama de significados ou significados sobrepostos (um “campo semântico”). Quando uma palavra é usada em um contexto, o orador/ouvinte normalmente sabe intuitivamente qual parte do campo de significado está sendo usada.
Vamos usar o português moderno como exemplo. Amor é uma palavra portuguesa com um campo bastante amplo de significados sobrepostos, mas uma vez analisada dentro do contexto, o significado específico é bastante óbvio. Consequentemente, a maioria das pessoas entendem a frase abaixo, mesmo a palavra  amor possuindo cinco significados sutilmente diferentes. “Eu amo Deus, minha esposa, minha filha, o Flamengo e Big Mac”. Outro exemplo: o substantivochave possui diversos significados bem definidos; um deles se refere a um objeto físico (a chave na porta) e o outro é um uso metafórico comum (a chave para a vitória).
Portanto, um bom estudo das palavras avaliará muitos contextos para determinar a gama de significados e/ou significados sobrepostos disponíveis para o escritor/orador durante um período de tempo específico. Essa é a função do dicionário. Um bom intérprete então toma a gama disponível de significados para uma palavra e aplica isso ao contexto para conseguir o significado específico apropriado da palavra naquele contexto.
A falácia etimológica
Na linguística moderna, etimologia é o estudo da história da palavra com ênfase em sua origem. Esse estudo da história de uma palavra frequentemente remete a múltiplos idiomas. Isso é contrastado com o(s) “significado(s)” de uma palavra, que é (são) baseado(s) no uso corrente. Uma falácia etimológica é assumir que a origem de uma palavra é o seu real significado. Não, o verdadeiro significado de uma palavra é o seu uso atual. (A falácia etimológica às vezes é chamada de “falácia da raiz”, que diz que a raiz [origem] de uma palavra é o seu verdadeiro significado).
Considere a frase: “Eu vivo em Charlotte, Carolina do Norte, que fica no condado de Mecklenburg”. Virtualmente, todos que leem essa frase corretamente entendem a palavra condado mesmo que não conheçam sua etimologia. Parte da etimologia se refere aos nobres franceses, ou “condes”, e à terra que eles possuíam na Europa feudal. Saber isso é interessante, mas não ajuda um leitor moderno do português a entender melhor a palavra condado. De fato, a maioria dos oradores e leitores de qualquer idioma são capazes de se comunicar razoavelmente bem, muito embora raramente conheçam a etimologia de quaisquer palavras que usam.
No grego, mais do que no português, muitas palavras são uma combinação de duas outras palavras, mas geralmente o estudo etimológico do porquê e de quando essas palavras foram combinadas é completamente desconhecido pelo autor do Novo Testamento. A palavra grega ekklesia, que é geralmente traduzida por “igreja”, é uma combinação das palavras chamar fora. Contudo, os dicionários gregos acadêmicos não dão a definição de “os chamados para fora” para a palavra ekklesia, porque ela não está sendo usada dessa maneira no Novo Testamento. Embora seja teologicamente verdadeiro que cristãos tenham sido chamados para fora do mundo pecaminoso para ser a igreja, essa verdade não é derivada da palavra ekklesia. Semelhantemente, no inglês moderno a palavra butterfly (borboleta) é claramente composta das palavras butter (manteiga) e fly (mosca), mas isso não nos ajuda a entender melhor o inseto.
A falácia etimológica reversa
A falácia etimológica reversa ocorre quando o uso histórico mais recente de uma palavra é considerado primário para determinar o significado inicial da palavra. É claro que isso não faz sentido logicamente, mas às vezes o jeito como um pastor explica uma palavra grega pode encorajar alguns na congregação a cair nessa armadilha.
Por exemplo, um pastor pode explicar que a palavra grega para poderno Novo Testamento é dynamis, e que na década de 1860, Alfred Nobel chamou sua invenção de “dinamite” baseado na palavra grega dynamis. Isso é verdade e é interessante. Contudo, isso não dá ao intérprete do Novo Testamento maior compreensão do significado dedynamis na Escritura. De fato, alguém pode assumir de maneira errada que o “poder do Espírito Santo” (Rm 15.13) deve ser um poder explosivo como a dinamite, em vez de um poder constante como a energia elétrica.
Utilidade ocasional das etimologias
As etimologias são ocasionalmente úteis. Às vezes, a combinação de duas palavras gregas se relaciona diretamente ao significado atual. A palavra grega ekball?, que é frequentemente traduzida por “expulsar” (por exemplo, Mt 9.33), é uma combinação de lançar e fora. Um exemplo paralelo no inglês pode ser grasslands (pastagens), cujo significado é óbvio por causa das duas palavras grass (grama) e lands(terras; terrenos). Por favor, observe que embora a etimologia e o significado usado atualmente se encaixem, e a etimologia seja útil, os significados de ekball? (“expulsar”) e grasslands, em última análise, não são baseados na etimologia, mas no uso corrente.
Etimologias também são úteis para as poucas situações, especialmente no Antigo Testamento, em que não há ocorrências suficientes de uma palavra para se ter certeza do seu significado. Os estudiosos procuram por palavras cognatas em outros idiomas (como o ugarítico, o acádio e o aramaico) durante vários períodos históricos para obterem suposições quanto ao significado de uma palavra hebraica. Isso frequentemente acontece com plantas ou animais desconhecidos. Por exemplo, a palavra hebraica tahash em Êxodo 25.5 é traduzida como “texugos” (ACF), “golfinhos” (AA) e “animais marinhos” (A21). Os argumentos técnicos aqui se relacionam à: (1) etimologia de cognatos semelhantes em árabe e idioma acádio e (2) tradução grega antiga, a Septuaginta, que interpreta tahash como a cor azul.
Falácia da transferência de totalidade
Uma falácia etimológica comum é assumir que a amplitude do campo semântico de uma palavra está sendo usada em cada caso específico daquela palavra. Ou seja, a totalidade do campo semântico é transferida ilegitimamente. Ou, simplificando em termos leigos, o mesmo autor nem sempre usa a mesma palavra da mesma forma. De certa maneira isso é óbvio, mas é bom lembrar.
Paulo usa muitas vezes a palavra carne (do grego sarx) de uma maneira negativa, dominada pelo pecado (por exemplo, Gl 5.17, Fp 3.4). Mas outras vezes, ele usa carne com um significado neutro, como em “carne e sangue” (Gl 1.16, 1Co 15.50) ou simplesmente para se referir ao corpo físico (2Co 7.5). O erro é assumir que toda vez que Paulo usa carne (sarx), ele está usando uma expressão negativa.
Os autores do Novo Testamento possuem um entendimento maravilhosamente desenvolvido da  cristã que inclui a total confiança do cristão na pessoa e na obra de Cristo. Todavia, às vezes os apóstolos usam a palavra  de uma maneira mais truncada para enfatizar o conjunto de doutrinas a respeito do cristianismo, como, por exemplo, em “um só Senhor, uma só fé, um só batismo” (Ef 4.5) e “exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (Judas 1.3). Esse significado de  é muito semelhante à nossa expressão moderna “a fé cristã”. É claro, a fé cristã é mais do que um conjunto de doutrinas, mas conhecer algumas doutrinas básicas a respeito da Trindade, de Cristo, da salvação, do pecado e assim por diante é um aspecto obrigatório da fé cristã. A falácia da transferência de totalidade é assumir que tudo o que a Bíblia fala sobre a fé cristã está sendo igualmente enfatizado toda vez que a palavra fé está sendo usada.
Conclusão
Com a iluminação do Espírito, a maioria dos cristãos lê e interpreta a Bíblia razoavelmente bem. Porém, cristãos podem cometer falácias etimológicas e outros erros. Se for da vontade do Senhor, todos nós nos esforçaremos para reduzir essa tendência.

Tradução: Alan Cristie
Revisão: Renata Cavalcanti

Fonte: http://ministeriofiel.com.br